O NÃO-DITO COMO ESPAÇO DE SENTIDO: LINGUAGEM E CONSCIÊNCIA NO DIÁLOGO ENTRE BAKHTIN E VYGOTSKY
DOI:
https://doi.org/10.22533/omij.v7i1.427Palabras clave:
Não-dito, Consciência, Mikhail Bakhtin, Lev VygotskyResumen
Este artigo desenvolve uma reflexão teórica acerca do não-dito como dimensão constitutiva da produção de sentido e da formação da consciência, a partir de uma aproximação entre as contribuições de Mikhail Bakhtin e Lev Vygotsky. Partindo de uma concepção de linguagem compreendida como prática social, viva, histórica e ideologicamente atravessada, o estudo problematiza o silêncio, os intervalos discursivos e as zonas de indeterminação como elementos ativos do processo dialógico. A investigação assume caráter teórico-bibliográfico, de orientação qualitativa e interpretativa (Minayo, 2001; Silveira; Córdova, 2009), fundamentando-se na análise dialógica da linguagem em interlocução com psicologia histórico-cultural. Na aproximação entre as reflexões bakhtinianas sobre palavra, signo ideológico dialogismo e alteridade às concepções vygotskianas de mediação semiótica, linguagem interior e gênese social da consciência, argumenta-se que o não-dito não se configura como ausência ou falha comunicativa, mas como espaço de tensão, escuta e antecipação responsiva. Sustenta-se, assim, que é nesse campo intervalar, habitado por sentidos em latência e por vozes socialmente partilhadas, que a consciência se constitui como processo histórico, social e inconcluso, abrindo possibilidade de leitura para debates contemporâneos nos campos da linguagem, da educação e da psicologia.
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