Corpo, sangue e sedução
uma crítica da tradução do erotismo em Entrevista com o Vampiro
DOI:
https://doi.org/10.22533/omij.v7i1.474Palabras clave:
Tradução literária, Erotismo, Gótico, Anne Rice, Clarice LispectorResumen
A tradução brasileira de Interview with the Vampire, publicada em português como Entrevista com o Vampiro e atribuída a Clarice Lispector, constitui um campo especialmente fértil para investigar as relações entre linguagem, erotismo e imaginário gótico. Tomando como corpus o romance de Anne Rice em sua edição de partida (RICE, 1976) e sua tradução brasileira (RICE, 2018), este estudo parte do pressuposto de que o erotismo, na obra, não se limita à representação temática do desejo, mas se constrói por meio de redes lexicais ligadas ao corpo, ao sangue, à sedução, à violência e à morte. Com base no cotejo entre trechos do texto-fonte e do texto traduzido, a análise examina de que modo essas redes são preservadas, deslocadas ou intensificadas no texto de chegada. Como aporte teórico, mobilizam-se as reflexões de Baker (2018) sobre equivalência para além da palavra e coesão lexical, articuladas à crítica de tradução de Berman (2009, 2012), à discussão de Venuti (2019, 2021) sobre a visibilidade do tradutor e à concepção de Arrojo (1993; 2007) acerca do caráter interpretativo da tradução. A hipótese central sustenta que a tradução não apenas transfere conteúdos do original, mas retextualiza suas redes lexicais e estilísticas, produzindo uma nova configuração do erotismo no texto traduzido
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