LÍNGUAS ALÓCTONES COMO COMPONENTES ADICIONAIS: NOVOS DESAFIOS GLOTIPOLITÍCOS PARA A EXPANSÃO E PERMANÊNCIA DA ATIVIDADE DE ENSINO-APRENDIZAGEM PLURILÍNGUE NO CURRÍCULO ESCOLAR ATUAL

  • Otávio de Oliveira Silva Universidade de São Paulo
  • Mona Mohamad Hawi Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Línguas Adicionais, TASHC, Educação Plurilíngue

Resumo

Este estudo traz à baila uma  problematização da situação de línguas alóctones brasileiras como o árabe, alemão, coreano, italiano, japonês, mandarim, polonês e ucraniano, atentando-se ao fato de que essas passam a não ser mais permitidas nos espaços escolares, outrossim nos currículos, dos anos finais do ensino fundamental e médio, para atender a orientação do ensino de Língua Inglesa como língua franca, que torna-se o único componente curricular de línguas estrangeiras legalmente possível no ensino básico, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) 9394 de 1996 que instituiu a Base nacional Comum Curricular (BNCC). Ancoramos nossos argumentos no aporte teórico-analítico da Teoria da Atividade Socio-Histórico-Cultural (TASHC) em interface com a perspectiva Glotopolítica, buscando compreender o que é preciso para manter e expandir a atividade de ensino plurilíngue nos currículos brasileiros. Como resultado, e em face às novas determinações do ensino de línguas estrangerias na escola, apontamos quais os possíveis novos desafios abarcados pela Linguística Aplicada e pela Educação que podem surgir com as novas normativas educacionais, e de que forma é possível intervir nas questões de políticas linguísticas nacionais que afetam a educação, contornando as práticas monolíngues nos espaços escolares.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mona Mohamad Hawi, Universidade de São Paulo

Professora Dra. da Universidade de São Paulo, no Departamento de Letras Orientais. DOUTORADO em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem ( 2005), pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP, linha dpesquisa em Linguagem e Educação, foco em Formação de Professores. MESTRADO (1997) em Lingüística Aplicada ao Ensino de Línguas, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, foco em Análise do Discurso. GRADUAÇÃO em Letras - Licenciatura (1984), pela UniCEUB - Brasília. Professora de Língua Árabe (Clássica e Moderna) e Elaboração e Produção de textos em Língua Árabe(GRADUAÇÃO). Professora da Pós - Graduação no programa de Estudos Árabes e Judaicos e atualmente no Program LETRA - Lingua estrangeira e tradução, linha de pesquisa em Estudos Linguísticos e foco na Formação de Professores de Língua Estrangeira . Presidente na Comissão de Graduação da FFLCH e Membro do Conselho do DLO. e da Congregação da FFLCH; Linguista Aplicada com experiência e atuação na área de: Formação de Professores, Metodologias de Pesquisa, Ensino de Línguas Estrangeiras e Educação Bilíngue ( Árabe );Concepções de Linguagem e de Ensino-Aprendizagem sob a perspectiva da Teoria da Atividade. Seu interesse de pesquisa está nas práticas de ensino colaborativo e critico em línguas estrangeiras, na formação de professores/as, de avaliação e de aprendizagem expansiva, sob a perspectiva de teorias sócio-críticas de aprendizagem e de discurso. Tem projeto de pesquisa no campo da Língua e Linguística Árabe e nos Estudos Bilíngues e Implementação de Materiais Didáticos.Sua pesquisa trata da "Elaboração e Produção de Unidades Didáticas para Aprendizes em Língua Árabe, com foco nas Atividades Sociais". É membro do grupo de pesquisa ( credenciado no CNPq) "O Papel do Imigrante na Literatura brasileira", na Universidade de São Paulo com a pesquisa sobre a "Análise da Influência da Imigração e do Imigrante árabe nas obras de Simão Lopes". Atuou como professora titular de Linguística no UniFieo ( 1988-2008) , além de ter ministrado cursos de Extensão Universitária na COGEAE- Coordenadoria Geral de Especialização Aperfeiçoamento e Extensão na área de Linguagem e Educação, com foco no papel do Coordenador e nas Teorias de Ensino-Aprendizagem, de 2003 a 2007. É membro do grupo de pesquisa (colaboradora externa) projeto LEDA - Leitura e Escrita nas Diferentes Áreas e no AB - Aprender Brincando - ambos ligados ao PAC - Programa Ação Cidadã- na PUC-SP: no primeiro, trabalha com a formação de Grupos de Apoio e no segundo, com a construção do Projeto Político Pedagógico e o conceito do Brincar. Também participou do grupo de pesquisa LACE- PUC-SP como pesquisadora colaboradora externa. 

Referências

BRASIL. Lei Nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do BRASIL, Brasília, DF, 1996.

CALVET, Louis-Jean. Sociolinguística - uma introdução crítica. São Paulo: Parábola, 2002

CALVET, Louis-Jean. Language wars and linguistic politics. Oxford: Oxford University Press, 1998.

CALVET, Louis-Jean. Por una ecoloxía das linguas do mundo. Compostela: Edicións Laiovento, 2004.

CALVET, Louis-Jean. As Políticas Linguísticas. São Paulo: Parábola, 2007.

DE VARENNES, Fernand. Language Rights as an Integral Part of Human Rights.IJMS: International Journal on Multicultural Societies. 2001, vol. 3, no.1, pp. 15-25. UNESCO. ISSN 1817-4574. Disponível em :< www.unesco.org/shs/ijms/vol3/issue1/art2>. Acesso em 16/03/2021.

DELONG, Silvia Regina. Vitalidade linguística e construção de identidades de descendentes de poloneses no sul do Paraná. Tese (Doutorado) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada, São Leopoldo, 2016. 212 p. Disponível em: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/6105. Acesso em 16/03/2021.

DUBOC, Ana Paula. Falando francamente: uma leitura bakhtiniana do conceito de “inglês como língua franca” no componente curricular língua inglesa da BNCC. in:Revista da Anpoll v. 1, nº 48, p. 10-22, Florianópolis, Jan./Jun.2019.Disponível em: <https://revistadaanpoll.emnuvens.com.br/revista/article/view/1255/1021>. Acesso: 31/05/2020.

ENGESTRÖM, Yrjo. Learning by expanding: An activity-theoretical approach to developmental research (2nd ed). New York: Cambridge University Press, 1987.

ENGESTRÖM, Yrjo. From design experiments to formative interventions. In: Theory & Psychology, 21(5), p. 598-628, 2011. https://doi.org/10.1177/0959354311419252

ENGESTRÖM, Yrjo. From teams to knots: activity-theorical studies of collaboration and learning at work. Nova York: Cambridge, 2008.

ENGESTRÖM, Yrjo. Innovative learning in work teams: analysing cycles of knowledge creation in practice, in: Y. ENGESTRÖM et al . Perspectives on Activity Theory. Cambridge: Cambridge University Press, p. 377-406, 1999.

ENGESTRÖM, Yrjo. Studies in expansive learning: Learning what is not yet there. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.

ENGESTRÖM, Yrjo. From individual action to collective activity and back: Developmental work research as an interventionist methodology. In: LUFF, Paul. (Org.), Workplace studies: Recovering work practice and informing system design. Cambridge: Cambridge University Press, p. 150-166, 2000.

ENGESTRÖM, Yrjo; SANNINO, Annalisa. Studies of expansive learning: Foundations, findings and future challenges. In: Educational Research Review, 5, p. 1-24, 2010.

ENGESTRÖM, Yrjo; SANNINO, Annalisa; VIRKKUNEN, Jaakko. On the methodological demands of formative interventions. Mind, Culture, and Activity, 21(2), p. 118-128, 2014.

ENGESTRÖM, Yrjo. Expansive Learning at work: toward and activity theoretical reconceptualization. In: Journal of Education and Work, v. 14, n 1, p.133-153, 2001.

GUESPIN, Louis; MARCELLESI, Jean-Baptiste Marcellesi. Pour la Glottopolitique. Langages, n. 83, 1986, p. 5-34.

HAMEL, ‪Rainer Enrique. Direitos linguísticos como direitos humanos: debates e perspectivas. IN: OLIVEIRA, OLIVEIRA, Gilvan Müller de. (org.). Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. Novas perspectivas em política linguística. Campinas: Mercado de Línguas, IPOL, ALB, 2003, pp. 47-80.‬‬‬
LAGARES, Xoan Carlos. Qual Política Linguística? Desafios Glotopolíticos Contemporâneos. São Paulo: Parábola, 2018.

LEONTIEV, Alexis Nikolaevich. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1978.

LIBERALI, Fernanda. Atividade social nas aulas de língua estrangeira. São Paulo: Richmond, 2009.

OLIVEIRA, Gilvan Müller de (org.). Declaração Universal dos Direitos Linguísticos: novas perspectivas em política linguística. Campinas: Mercado das Letras, ALAB; Florianópolis: IPOL, 2003.

Organização das Nações Unidas [ONU]. Declaração universal dos direitos humanos. 1948. Disponível em <http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshu- manos.php>. Acesso em 01/12/2020.

PORTELA, Jean Cristtus. Práticas didáticas: um estudo sobre os manuais brasileiros de semiótica greimasiana. 2008. 181 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, 2008.

RODRIGUES, Fernanda dos Santos Castellano. Língua viva, letra morta: obrigatoriedade e ensino de espanhol no arquivo jurídico e legislativo brasileiro. 2010. Tese (Doutorado em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
ROTHER, Edna Terezinha. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta paul. enferm. , São Paulo, v. 20, n. 2, pág. v-vi, junho de 2007. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002007000200001&lng=en&nrm=iso>. acesso em 24 de abril de 2021. https://doi.org/10.1590/S0103-21002007000200001 .

SÃO PAULO. Decreto nº 27.270, 10 de agosto de 1987. Dispõe sobre a regularização e criação dos Centros de estudos de Línguas do Estado de São Paulo. São Paulo, 1987.
SÃO PAULO. Resolução SE nº 271, de 20 de novembro de 1987, dispõe sobre o funcionamento e as atividades dos Centros de Estudos de Línguas e dá providências correlatas. São Paulo, 1987.
SILVA, Otávio de Oliveira. A evolução do ensino de língua japonesa nas escolas públicas do estado de São Paulo através da análise e crítica de dois livros didáticos de japonês – LE. Estudos Japoneses, [S. l.], n. 43, p. 129-148, 2020. DOI: 10.11606/issn.2447-7125.vi43p129-148. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ej/article/view/186228. Acesso em: 21 jun. 2021.

SILVA, Otávio de Oliveira. De línguas minorizadas dos núcleos de imigrantes a disciplinas escolares da educação básica: o ensino de línguas alóctones nas redes públicas estaduais sob a perspectiva glotopolítica. In: COTINGUIBA, ‪Marília Lima Pimentel; TONDINELI, Patrícia Goulart (Org.). Contextos de aprendizagem e de descrição de línguas autóctones e alóctones. 1ed.Porto Velho: Edufro, 2021.‬‬‬

SILVA, Otávio de Oliveira. O Centro de Estudos de Línguas (CEL) na história do ensino de língua japonesa nas escolas públicas paulistas. 2017.178f. Dissertação de Mestrado (Letras) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. A formação social da mente (1934). 4ºed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

VYGOTSKY, Lev Semionovitch; LURIA, Alexander Romanovich; LEONTIEV, Alexis Nikolaevich. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem (1934). 7ºed. São Paulo: Ícone, 2001

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. Pensamento e linguagem. S/L [Edição eletrônica]: Ed Ridendo Castigat Mores, 2001.

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. The Genesis of Higher Mental Functions. In: WERTSCH, James. The Concept of Activity in Soviet Psychology: An Introduction. M.E. Sharpe, Inc. New York: USA, 1981.
Publicado
2021-09-13
Como Citar
de Oliveira Silva, O., & Mohamad Hawi, M. (2021). LÍNGUAS ALÓCTONES COMO COMPONENTES ADICIONAIS: NOVOS DESAFIOS GLOTIPOLITÍCOS PARA A EXPANSÃO E PERMANÊNCIA DA ATIVIDADE DE ENSINO-APRENDIZAGEM PLURILÍNGUE NO CURRÍCULO ESCOLAR ATUAL. Open Minds International Journal, 2(2), 95-112. https://doi.org/10.47180/omij.v2i2.124
Seção
TEMÁTICA: Ensino de línguas na atualidade: novas práticas, métodos e desafios